Assinala-se
hoje, dia 29 de Outubro, 198 anos sobre o nascimento de D. Fernando II - O Rei
Artista.
Há
precisamente um ano, foi lançado o livro “Os Criadores da Pena”, da autoria de
Margarida de Magalhães Ramalho, tendo sido anunciada uma exposição com objetos
pessoais da Condessa d´Edla, comissariada pela autora do livro. Para quando
essa exposição?
Também
no ano passado, referi a importância de assinalar de forma correcta o bicentenário
do nascimento do Rei, dentro de apenas dois anos. Seria uma oportunidade única para
a realização de conferências, exposições e novas edições de livros que procurem
descobrir mais sobre a vida e obra de alguém que deu tanto por Portugal.
Na passada sexta-feira (7 de Março) foi emitida a nova rubrica do Jornal da Noite da SIC, intitulada “Aqui há História”.
O primeiro
episódio foi dedicado ao Chalet da Condessa D´Edla. Esta emissão conta com a
presença do Professor António Lamas, do Eng.º Daniel Silva e de Maria Antónia
Lopes, autora da recém-lançada biografia do Rei D. Fernando II.
No passado sábado, 1 de Fevereiro, Margarida Ramalho foi
convidada do programa “A Força das Coisas”, emitido pela Antena 2.
A
participação neste programa vem na sequência do lançamento do livro “Os
Criadores da Pena”, editado pela Parques de Sintra Monte da Lua, no passado mês
de Outubro.
A entrevista, recheada de curiosidades históricas, pode ser
encontrada aproximadamente a meio da emissão, no seguinte link:
O
Salão Nobre do Palácio da Pena é o centro do Palácio Novo (acrescentado por D. Fernando
II ao antigo mosteiro Jerónimo). Teve a designação inicial de “Sala dos
Embaixadores” devido ao seu objetivo inicial, sala de acolhimento e etiqueta.
Após
a morte de D. Maria II em 1853, as obrigações de estado de D. Fernando diminuem.
A partir de 1862, este espaço é totalmente remodelado. Para tal, o Rei adquire
uma mesa de bilhar, luminárias e mobiliário, que transformaram esta sala num
espaço de convívio informal.
O
Salão Nobre está revestido a estuque trabalhado, numa união de doze rosáceas de
inspiração gótica, unidas a padrões neo-mouriscos. A estravagância da sala é
acentuada pelos vitrais alemães colocados nas janelas, pelo mobiliário estilo
neo-tudor, pelos turcos tocheiros e pelo lustre neo-gótico.
O
mobiliário e as luminárias existentes no Salão Nobre, restaurado ao longo dos
últimos 3 anos, foram adquiridos por D. Fernando II em 1867 à casa “Gaspar.
Armador e Estofador. Sucessores Barbosa & Costa. Praça do Loreto, Lisboa”.
O
mobiliário principal em madeira de andiroba e nogueira escurecida
(originalmente com estofos forrados a chagrin Bordeaux) foi encomendado de forma
a integrar-se por completo no contexto arquitetónico. Os oito grandes sofás de
espaldar alto com espelhos inserem-se em 8 Panos de parede entre vãos do salão
(quatro nos topos, quatro longitudinalmente). Os quatro turcos-tocheiros
ocupavam os outros 4 panos de parede. As restantes peças, poltronas, cadeiras,
tamboretes e mesas, organizavam-se em torno dos sofás.
Com
esta interligação formal entre arquitetura e artes decorativas fixas e móveis,
D. Fernando aproximou-se de um ideal que viria a ser realidade nas artes
decorativas da geração seguinte: o Design Total.
A
introdução de mais mobiliário pela seguinte geração que aqui habitou, a do rei
D. Carlos e da Rainha D. Amélia, aligeirou o carácter representativo desta
sala. Com a chegada da República, estas peças foram retiradas do Salão Nobre e distribuídas
pelo Palácio.
O
restauro do Salão Nobre foi inaugurado pelo secretário de estado da Cultura,
Jorge Barreto Xavier no dia 23 de janeiro. Com esta intervenção, restituiu-se a
integridade visual das peças bem como a reparação de danos e reconstituição das
partes em falta. Os estofos voltaram a ser forrados a chagrin Bordeaux. Este
restauro incluiu também a remodelação integral de estruturas técnicas e de
segurança. Para além do mobiliário, também os estuques, as luminárias
(incluindo o grande lustre), os vitrais e os pavimentos foram intervencionados,
juntamente com a escada das cabaças e sala de entrada, tornando este restauro,
um projeto integral. Mais detalhes sobre este projeto, AQUI (Press Release - Parquesde Sintra).
Toda a história aqui relatada baseou-se nos painéis que estiveram colocados durante a intervenção de restauro, no Salão Nobre.
Em
entrevista ao suplemento Economia do
Jornal Expresso, publicado no passado sábado, 25 de Janeiro, António Lamas (presidente
do conselho de administração da PSML) refere que esta intervenção teve um custo
total de 262 mil euros. A mesma fonte indica que nos últimos 7 anos, a empresa
pública investiu 26 milhões de euros na recuperação do Património. Em 2013, as
receitas atingiram os 15 milhões de euros. O número de visitantes ascendeu a 1,7
milhões (93% estrangeiros), representando um aumento de 700 mil visitantes em 2
anos.
Filme
de apresentação do restauro do Salão Nobre, produzido pela Malagueta Produção Audiovisual
para a Parques de Sintra
Reportagem
sobre o restauro do Salão Nobre, emitida pela RTP1 no dia 22 de Janeiro. Esta reportagem conta com entrevista ao Arq. António Nunes Pereira (Diretor do Palácio da Pena), a Pedro Alexandre (Empresa Portal de São Domingos – Responsável pelo restauro do mobiliário) e ao Eng. Daniel Silva (Coordenador do restauro do Palácio da Pena).
Futuros
restauros no Palácio da Pena
O
restauro do Palácio da Pena não termina aqui. Neste momento encontra-se em remodelaçã o as instalações da loja, restaurante e cafetaria, prevendo-se a sua conclusão em
Abril, juntamente com a instalação de um elevador nesse local para facilitar a acessibilidade
(incluindo-se no projeto ‘Parques de Sintra Acolhe Melhor’).
Na
reportagem da RTP, o Diretor do Palácio refere que está a ser terminado o
restauro dos estuques da sala de entrada (junto à escada das Cabaças). Foi
recentemente descoberto o mobiliário original da Sala de Fumo. Este mobiliário
que se encontra nas reservas do Palácio da Pena e no Palácio Nacional de Sintra,
será restaurado e colocado no seu local original. Antigamente chamada de ‘Sala Indiana’,
esta sala está decorada com mobiliário indiano adquirido em 1940.
Será
dada continuação do restauro do Gabinete da Rainha D. Amélia, cuja pintura
mural se encontra bastante danificada. Os aposentos do Rei D. Manuel II, que
serviram de apoio ao restauro do salão Nobre e que estão encerrados desde 2011,
também serão alvo de intervenção de restauro. Espera-se também que o mecanismo
do relógio do Palácio (Torre do Relógio) seja também recuperado durante este
ano.
No
âmbito do projeto de requalificação do Castelo dos Mouros, a Parques de Sintra
renovou a sinalética do percurso pedestre, com acesso através da ‘Rampa do
Castelo’ e com ligação ao Castelo dos Mouros e Palácio da Pena, também
conhecido como ‘caminho de Santa Maria’.
A nível histórico, importa lembrar que este percurso se desenvolve por terrenos que outrora foram propriedade do Rei D. Fernando II. Tal como indicado no seu ‘inventário orfanológico’, os terrenos entre a Quinta da Abelheira e o Castelo dos Mouros, foram adquiridos pelo monarca no dia 2 de Setembro de 1857.
Inicio do percurso pedestre junto à quinta da Abelheira e Igreja de São Miguel - infelizmente, a porta rotativa (que aqui se encontrava há bastantes anos) foi retirada.
A Álea Ferreira de Castro, local onde repousa o conhecido escritor, também teve a sua sinalética renovada, permitindo encontrar mais informações com a ajuda de um smartphone e da aplicação 'talking heritage'.
Na segunda cintura de muralhas do Castelo dos Mouros, foi colocado um portão em madeira de acácia.
No
âmbito do restauro integral (em curso) do Chalet da Condessa, a Parques de
Sintra encomendou a Margarida de Magalhães Ramalho, conhecida historiadora, uma
investigação sobre Elise Hensler e a sua relação com Dom Fernando II e o Parque
da Pena.
Os
resultados desta investigação foram publicados no livro recentemente editado
pela PSML: “Os Criadores da Pena”. Assim, nas palavras de António Lamas,
publicadas no prefácio da referida obra, Margarida de Magalhães Ramalho será a
comissária de uma exposição sobre a Condessa d´Edla. A investigação envolveu aprofundada pesquisa em
arquivos e espólios dos descendentes de Elise, existindo
interessantes objetos e documentos que nunca foram mostrados em público,
permitindo um melhor conhecimento sobre esta personagem da nossa história, por
vezes tão esquecida. Aguarda-se com expectativa a realização desta exposição,
que terá lugar no Chalet da Condessa d´Edla.
Ferdinand
August Franz Anton, nome de batismo do futuro Rei-Consorte de Portugal, D. Fernando
II, nasceu em Viena, no palácio Koháry, no dia 29 de Outubro de 1819, há precisamente 197 anos.
A
genealogia da família de D. Fernando II é complexa, bem como a organização política
da Europa, em 1816, na altura do seu nascimento. Viena pertencia ao império Austríaco,
cidade que acolheu o jovem príncipe até 1835. A 8 de Abril de 1836 D. Fernando
II chega a Portugal, poucos meses depois do seu casamento, por procuração, com
a rainha D. Maria II.*
*Fonte:
Lopes, Maria Antónia, D. Fernando II, 1ª Edição: Círculo de Leitores, Junho
2013
Nota: Hoje, pelas 18 horas será lançado no Chalet da Condessa D´Edla, na presença
da autora, o mais recente livro editado pela PSML - “Os Criadores da Pena – D. Fernando II e a Condessa d’Edla”. [Mais informações]
Na
foto: Prato cerâmico da autoria de Venceslau Cifka (representando D. Fernando
II, as suas armas e o Palácio da Pena), adquirido em Setembro de 2012 pela
Parques de Sintra - Monte da Lua. Está em exposição no palácio da Pena (Salas de passagem).
No
dia em que se assinalam 197 anos sobre o nascimento de D. Fernando II, a
Parques de Sintra vai lançar, no Chalet
da Condessa D´Edla, a publicação “Os
Criadores da Pena – D. Fernando II e a Condessa d’Edla”, da autoria de Margarida
de Magalhães Ramalho, livro editado pela PSML.
Esta
é uma publicação que resulta de uma profunda investigação histórica em arquivos
nacionais e estrangeiros, procurando explicar, entre outros, a motivação do casal para a conceção do
Parque da Pena. O livro inclui cartas inéditas trocadas entre a Condessa
D´Edla e a Rainha D. Amélia, última Rainha de Portugal e D. Pedro II, irmão de
D. Maria II e último imperador do Brasil. [Mais informações]
É
uma interessante e merecida homenagem a D. Fernando II e à Condessa D´Edla,
importantes figuras de Portugal, no século XIX. A edição deste livro foi
referida pelo blog, em primeira mão, na passada terça-Feira. Da minha parte,
envio os parabéns à Parques de Sintra – Monte da Lua por esta excelente
iniciativa.
Nota:
Aproxima-se o bicentenário do nascimento de D. Fernando II (2016), será
certamente uma ocasião para uma grande exposição evocativa da sua vida.
Em
entrevista ao jornal de Negócios, publicada na sexta-feira, dia 20 de Setembro,
Margarida Magalhães Ramalho, conhecida historiadora e escritora (é autora,
entre muitos outros, do livro “Escrever sobre Sintra” – editado em 2011 pela
Parques de Sintra), revelou o próximo livro a publicar.
Na entrevista
infelizmente não existem detalhes do livro, apenas o título – ‘D. Fernando II e a Condessa d’Edla, os
Criadores da Pena’. Margarida Ramalho chama-lhes os “estrangeiros
benfeitores”, numa referência à importante atividade que estes desenvolveram a
favor da preservação do património Português.
[Actualização] O livro será editado dentro de poucos dias pela Parques de Sintra. Esperam-se novas informações em breve.
No
âmbito do complexo projeto de restauro do Palácio da Pena, iniciado em 2012, a
Parques de Sintra está neste momento a intervir nas fachadas do Palácio, cujas
pinturas se encontram em bastante mau estado, devido à adversidade dos agentes
atmosféricos.
Como
é hábito em todas as intervenções, foi feito um estudo prévio no qual se
recolheram diversas amostras dos revestimentos das fachadas. Após uma
investigação em documentos da época de D. Fernando II, foram utilizados
pigmentos naturais, procurando reproduzir a técnica original utilizada na
construção do Palácio.
Foi
lançado no passado mês de Julho, a biografia do Rei D. Fernando II, da autoria
de Maria Antónia Lopes.
É
um livro de grande qualidade com mais de 450 páginas e inclui vários factos
desconhecidos e inéditos, uma vez que a autora consultou a correspondência em
alemão do “Rei-Artista”.
A
construção do palácio da Pena, a morte de D. Maria II, a sua relação com os
filhos, o casamento com a Condessa D´Edla e o seu polémico testamento são
alguns dos destaques desta excelente publicação. Recomendo.
As
origens da igreja de São Pedro de Canaferrim, localizada junto ao Castelo dos
Mouros, primeira igreja paroquial de Sintra, remontam provavelmente ao ano de
1154, data da atribuição do Foral de Sintra pelo primeiro Rei de Portugal, D.
Afonso Henriques.
Ao longo dos tempos, o castelo foi perdendo a sua
importância estratégica e sabe-se que esta igreja estaria abandonada no ano de
1493. Sofreu bastante com os anos de abandono e com os efeitos do terramoto de
1755.
“An old chapel of the
Moorish Castle” , William Burnett, séc. XIX
D.
Fernando II, Rei Consorte, procede ao aforamento do Castelo dos Mouros no ano
de 1840, mantendo a igreja intacta, ao estilo de uma ruína medieval, tão
característico do Romantismo.
Alvará do aforamento do Castelo dos Mouros, concedido ao
Rei D. Fernando II,1840
Durante
a abertura de caminhos, foram detetados diversos enterramentos, sendo essa a
razão da existência de um ossário, junto à igreja, contemporâneo das
intervenções de D. Fernando II no Castelo dos Mouros.
As
escavações realizadas em 1981 também revelaram a existência de diversos
enterramentos medievais.
Recentemente,
no âmbito do projeto “À Conquista do Castelo” (2010-2013) foram efetuadas
escavações na necrópole, permitindo a identificação de 33 sepulturas de rito
cristão, tendo cada uma cerca de 2 a 3 enterramentos.
Atualmente,
e no âmbito do referido projeto, encontra-se em fase de conclusão, a adaptação
da antiga igreja de São Pedro de Canaferrim a Centro de interpretação da
história do castelo. Com este centro de interpretação pretende-se a conservação
da antiga igreja e respetivas pinturas murais mas também um maior conhecimento
da história deste local, com a exposição dos artefactos encontrados durante as
escavações (dos quais se destaca um vaso cerâmico com mais de 7000 anos). A
abertura do centro de interpretação está prevista para o este Verão.
Restauro da Igreja (adaptação a centro
de interpretação) – Abril e Julho 2013